Instituições da sociedade civil investem em saneamento no litoral paulista
Instituições da sociedade civil investem em saneamento no litoral paulista
BERTIOGA (SP) - Por muito tempo, quem quisesse comprar um imóvel no litoral paulista se aventurava num negócio de risco. Após adquirir o lote era preciso rezar para receber água, luz, esgoto e coleta de lixo. Há poucos anos essa situação começou a deixar de ser regra e o exemplo de algumas entidades organizadas da sociedade civil começa a fazer diferença nas praias. Cansados de esperar por obras públicas e em respeito a legislação ambiental, cada vez mais empreendedores e sociedades civis constituídas por proprietários e associações comunitárias têm desenvolvido sistemas próprios de saneamento básico.
A Riviera de São Lourenço, condomínio implantado em Bertioga, litoral norte de São Paulo, tinha tudo para se tornar mais um loteamento à espera da infraestrutura básica. Havia vários lotes de proprietários diferentes, mas nenhum comprador. Eles se juntaram para formar uma empresa e nada de aparecer compradores. Em 1985, a Loteamentos S.A. uniu-se à construtora Sobloco para começar a vender os imóveis - o saneamento básico fazia parte do pacote.
Cada proprietário de um imóvel na Riviera de São Lourenço paga uma taxa de consumo de água - tratada pelo próprio empreendimento - e o mesmo valor pelo tratamento de dejetos. São R$ 140 mensais gastos com limpeza de ruas, canais e praças - além da segurança. Hoje, a estrutura corresponde a um completo sistema de tratamento de esgotos, a quatro quilômetros da orla. O efluente devolvido ao Rio Itapanhaú tem pureza entre 85% e 90%.
Segundo Artur Richter, coordenador da Riviera, o projeto de tratamento de efluentes possui estação elevatória, uma lagoa anaeróbica e outra de descanso. Logo no início do processo acelera-se a separação dos resíduos sólidos e líquidos com a introdução de produtos que reduzem em 60% a carga orgânica, num prazo de duas semanas.
O sistema atende 45 mil pessoas. Neste ano o projeto, desenvolvido por um professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), obteve uma certificação dada a iniciativas que respeitam o meio ambiente.
`Tudo o que se faz antes fica mais prático e valoriza mais o imóvel`, afirma Daniel Silveira, gerente-geral da Sociedade Amigos da Riviera de São Lourenço, a entidade que cuida da manutenção do bairro.
Outra preocupação do empreendimento é com o lixo produzido entre seus moradores, por isso eles incentivam a coleta seletiva. Já são mais de 200 toneladas recicladas por ano. Até as lâmpadas fluorescentes são recolhidas. O dinheiro obtido com a venda de papel, vidro e plástico ajuda a Fundação 10 de Agosto, que alfabetiza e profissionaliza funcionários.
Em São Sebastião, o condomínio Aldeia da Baleia conta com seu sistema de esgoto desde 1997. Alimenta 250 lotes e casas, a maioria de alto padrão. `Os proprietários não queriam poluir o condomínio`, afirma Vitor Jaworski. A estação de tratamento foi montada pela empresa Puritech e tem capacidade para 2 mil pessoas. A purificação do efluente chega a 98%. Cerca de 20 condomínios do litoral possuem estações próprias da Puritech.
Fonte: Saneamento Básico o Site
www.saneamentobasico.com.br