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Despoluição do Rio Pinheiros - assinado contrato entre EMAI e Petrobras para sistema de flotação

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Despoluição do Rio Pinheiros - assinado contrato entre EMAI e Petrobras para sistema de flotação
São Paulo - O governador Geraldo Alckmin e o presidente da Petrobras, Philippe Reichstul, assinaram hoje a criação do consórcio para despoluição do rio Pinheiros. Pelo acordo, a Petrobras investirá R$ 40 milhões para implantar a primeira fase do sistema de tratamento por meio da flotação, permitindo que as águas do rio voltem a ser usadas para a geração de energia elétrica, a partir da usina de Henry Bordem, em Cubatão.

As obras terão início em janeiro e devem durar oito meses, com a construção de duas estações no Pinheiros, entre a Billings e o Centro Empresarial, numa distância de 6 Km e com capacidade de tratamento de 10 m3/s. Esse volume possibilitará um incremento energético de 59 megawatts (MW) em Henry Borden, que serão divididos meio a meio entre a Petrobras e a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE). Isso só acontecerá, porém, se as águas estiverem comprovadamente despoluídas e o rio puder ter novamente seu curso revertido em direção à represa Billings, conforme prevê a legislação.

Segundo Alckmin, essa primeira etapa será um teste. Se funcionar, será iniciada imediatamente a segunda etapa, que prevê investimento de mais R$ 90 milhões, mais cinco estações e capacidade total de tratamento de 50 m3/s. “Atualmente, as águas poluídas já são bombeadas para a Billings quando há ameaça de enchentes. Com a despoluição, vamos melhorar a qualidade da água da Billings, gerar energia, melhorar o fornecimento de água para a Baixada Santista e para o Pólo Petroquímico de Cubatão, sem despesas para o Estado”, disse o governador.

Nessa primeira fase, somente serão bombeadas as águas do próprio Pinheiros, que correspondem a um volume de 10 m3/s. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Ricardo Trípoli, a segunda fase levará mais um ano e meio para ficar pronta, a partir do início da operação da primeira etapa, e deverá incorporar ao sistema de tratamento mais 40 m3/s de água do rio Tietê.

Um dos pontos polêmicos do projeto, que é a disposição do lodo retirado do rio, não tem ainda um destino certo. “Agora, com o contrato assinado, vamos sentar e ver onde colocar”, disse o secretário. Segundo Trípoli, haverá redes ao longo do rio, para retirar a carga difusa (lixo que vem boiando no rio), material que será encaminhado para um aterro sanitário. O lodo resultante da flotação será desidratado - os 60% de material líquido voltarão ao sistema e os 40% restantes receberão cal, para desinfecção, e receberão uma destinação final. “Temos empresas da área de cerâmica interessadas no material, para fabricação de tijolos e telhas”, disse.

Além dos resíduos, outro questionamento ao processo é que a experiência, que tem mostrado bons resultados com volumes menores de água, como os lagos dos parques Ibirapuera e Aclimação, nunca foi testada em um projeto tão grande. Segundo Trípoli, também não foi realizada concorrência, porque a Petrobras é uma empresa pública.

Segundo João Carlos Gomes de Oliveira, da DT Engenharia, empresa que detém os direitos da tecnologia da flotação, o sistema consegue eliminar mais de 90% da matéria orgânica e metais pesados da água, mas não concorre com o tratamento primário do esgoto. “É uma forma eficiente de despoluição, com obras civis insignificantes, mas não dispensa o recolhimento do esgoto. Ao contrário, acusa que isso não está ocorrendo”.

Fonte : Maura Campanili - Agência Estado - clipping 10/12

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Last modified 2005-06-01 23:15
 

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